O constrangimento acompanhou Lehrer por todo o final de semana, apesar de tudo ele estava grato, Faux foi o último aluno naquele que ele precisava dar um sermão na sexta-feira, isso deveria significar uma certa liberdade, ele poderia finalmente focar em outras coisas e esquecer o ocorrido, certo? Infelizmente não era tão simples.
Ele era um professor rígido, conhecido por sua disciplina, um erro como aquele era inaceitável! Apesar de ter sido uma contravenção falsa, plantada pelo Conselho Estudantil, ele deveria saber melhor. Lehrer não confiava em nenhum aluno, nem mesmo aquele com título de presidente, no entanto ele nunca desconfiou de nada, levando a uma situação caluniosa e inusitada.
O rosto de Lehrer esquentava sempre que ele lembrava do olhar furioso de Faux e da parte inferior do seu corpo exposta, seus pelos pubianos tão loiros quanto as madeixas douradas do rapaz.
Um misto de frustração, raiva e vergonha o acompanhou por todo o final de semana até o próximo dia de aula. O professor ainda queria enfiar a sua cabeça em um buraco, porém ele decidiu que enfrentaria a situação de cabeça erguida, afinal ele era o adulto! Era o professor que precisava mostrar os limites ao jovem aluno e foi com isso em mente que Lehrer reuniu toda a sua força e coragem para ir trabalhar na segunda-feira
Ele só não esperava que Faux não estaria lá, nem na segunda, nem na terça, nem na quarta e nem no restante da semana inteira.
"Se ele tiver mais envergonhado do que eu? E se ele abandonar a escola por causa de mim?”
Coberto de culpa e vergonha Lehrer procurou saber mais sobre Faux afim de descobrir uma forma de fazer o garoto voltar a frequentar as aulas, não foi uma tarefa difícil encontrar informações, o loiro era parte de um grupo popular entre os alunos, então todos sabiam muito sobre o rapaz, ou achavam que sabiam. Todos diziam as mesmas coisas, Faux era um estudante rico que sempre tirava boas notas e andava com Sonne e os garotos populares. Só que nenhuma dessas informações realmente ajudavam.
A quantidade de dever de casa acumulado parecia a desculpa perfeita para que o professor procurasse pelo aluno fugitivo, apesar do incidente nunca ter sido revelado, ao menos não totalmente, Lehrer assumiu a culpa pela abstinência do aluno e decidiu procurá-lo em sua residência, assim ele poderia se desculpar e convencê-lo a retornar a frequentar as aulas. Os demais professores pareceram aliviados por terem um voluntário para resolver a questão, já que Faux era um aluno muito valioso.
Após sua última aula Lehrer juntou todas as tarefas da semana e se encaminhou para o endereço que havia pego com o diretor, ele deu um profundo suspiro quando viu qual era o seu destino, o bairro era um velho conhecido do professor, ele teve o desprazer em namorar um homem que morava naquela vizinhança e as coisas não terminaram muito bem.
Ao estacionar o carro próximo da casa do aluno, Lehrer olhou para o relógio de pulso com uma expressão preocupada, era uma péssima hora para aparecer naquela região, seu ex costumava voltar para casa nesse horário e apenas duas casas separavam a dele da de Faux, era uma situação muito desconfortável.
"Espero não encontrar com aquele filho da puta hoje”
Lehrer saiu do carro com a pilha de papeis na mão, andando de forma rápida e furtiva, tentando evitar qualquer pessoa que se aproximasse dele e para sua sorte ele conseguiu chegar até a grande e imponente porta da casa de Faux sem nenhuma intercorrência.
Mas ao contrário do que ele achava a sorte não estava do seu lado, uma senhora de meia idade atendeu a porta e disse que o jovem mestre não estava disponível para receber visitas, recolheu os papéis da mão do professor e informou que os entregaria, Lehrer tentou argumentar, mas não houve sucesso, a mulher tinha voz doce e gentil, mas seu olhar era feroz e todos os instintos do professor diziam que era melhor não comprar briga com ela.
Bastante frustrado Lehrer caminhou até o seu carro, esquecendo completamente do seu temor anterior, ele estava realmente preocupado com Faux, um garoto como ele podia se dar ao luxo de faltar algumas aulas e não se prejudicar tanto, afinal ele era rico e poderia pagar por tutores particulares para ensiná-lo melhor do que os professores da escola, mas ainda seria uma mancha em seu histórico escolar ter tantas faltas no último ano.
Mordendo a ponta do polegar com força o professor andou em círculos próximo ao seu carro tentando pensar em uma forma de contactar Faux, a família do rapaz não parecia estar na cidade e por isso não estava ciente de suas faltas, será que ele deveria entrar em contato com os pais do garoto? Mas e se ele causasse ainda mais problemas? E se Faux o acusasse de algo? Mesmo que o garoto tenha arrancado as próprias roupas por livre e espontânea vontade a corda sempre partia no lado mais fraco e nesse caso significava o professor que estava totalmente à mercê dos caprichos de um jovem rico e mimado, ao menos era assim que Lehrer via a situação.
— Lehrer? — uma voz familiar soou uma voz familiar fazendo o professor sentir um calafrio percorrer a sua espinha, um homem vestindo um terno elegante e um sorriso brilhante se aproximou cuidadosamente.
—Olá... — disse Lehrer desconcertado — O que você faz por aqui?
— Eu é que tenho que perguntar isso — riu o homem passando a mão para ajeitar os seus fios loiros — Eu moro aqui, esqueceu?
— Ah... É? — Lehrer decidiu se fazer de desentendido na tentativa de não dar falsas esperanças para o ex, ele sabia que havia grandes chances dele interpretar sua presença ali de forma completamente equivocada. — Eu não me lembrava, faz tanto tempo.
— Bastou alguns meses para você me esquecer? — o homem pressionou o corpo de Lehrer contra o carro, ele estava próximo demais, era possível sentir o cheiro de tabaco vindo da respiração dele — Ou será que você estava com tanta saudade que inocentemente veio até aqui?
— Você se acha demais, mas é só um babaca — disse Lehrer entre dentes, sua mandíbula chegou a ranger com a força com que ele a apertou.
— O que te trás aqui então, professor? — o homem se inclinou ainda mais pra perto, seus olhos refletiam uma certa loucura que Lehrer não havia percebido antes, era possível ver em toda a sua expressão corporal e principalmente marcado na sua pupila o tamanho do seu ego e da sua obsessão.
— Afaste-se, eu não vim aqui para isso! — gritou Lehrer.
O homem ignorou a ordem, ele sabia que Lehrer gostava de se fazer de difícil, ele sabia o que o professor gostava e como gostava, foram meses tentando se aproximar dele novamente sem nenhum sucesso, mas agora ele estava ali bem na frente dele e não o deixaria escapar.
Lehrer estava extremamente irritado, a sua preocupação com Faux era nula nesse momento, tudo que ele conseguia pensar era em como acabar com a raça desse desgraçado, que estava enterrando o nariz em seu pescoço e dando beijos molhados em seu maxilar.
— Eu falei sério! — disse Lehrer aplicando um murro na lateral do homem que se encolheu no mesmo momento — Eu disse pra você se afastar!
O homem apenas gemeu e se ajoelhou em frente ao professor, o soco foi certeiro e inesperado deixando Lehrer orgulhoso, havia bastante tempo que ele queria fazer isso e finalmente ele teve a oportunidade perfeita.
Ajustando seus óculos ele olhou para a rua vazia, era um bairro rico então as pessoas estavam sempre ocupadas demais com a própria vida para ficar bisbilhotando a rua, porém ele tinha que ser cuidadoso a sorte o abandonou e as coisas pareciam piorar cada vez mais e ele teve certeza disso quando avistou Faux parado em frente ao portão da sua casa boquiaberto olhando para os dois homens no meio da rua.
Comments (0)
See all