O trio viajou por três dias, não precisavam mais parar para caçar ratazanas ou algo do tipo, a comida que arranjaram no acampamento B estava suprindo essa necessidade. Na manhã do quarto dia, eles se levantaram e seguiram em frente como de costume, porém, no meio do caminho, uma flecha cortava o ar e acertava o chão, na frente de Joshua, que estava na frente. Parecia ter acertado o chão de propósito, pois não era uma tentativa de acerto, era um aviso.
Os três erguiam seus escudos, que haviam pegado no acampamento B, e então uma voz feminina vindo das árvores gritava para que se rendessem. Caso fugissem, seriam mortos, caso tentassem usar flechas ou bestas, também seriam mortos. O trio tentava localizar a origem da voz, ou pelo menos ver seus inimigos, mas os elfos estavam muito bem escondidos nas copas das árvores.
Joshua gritou de volta, demandando que se revelassem, provocando-os, chamando os elfos de covardes. Rowan argumentou que o melhor que poderiam fazer seria se renderem, pois como já fora presenciado por eles três, os elfos são eficientes em ataques coordenados, ou "chuvas de flechas". Joshua, mesmo que relutante, sabia que seu irmão mais novo tinha razão. Joshua abaixou o escudo e jogou sua espada no chão, Rowan e Hanna fizeram o mesmo.
Após se renderem, os elfos assoviavam, um atrás do outro, cada vez mais distante, na direção do acampamento principal, parecia ser um sinal que era repassado, e pela quantidade de assovios, Rowan estava certo quanto ao número de elfos.
Uma elfa descia de uma das árvores, ordenando que o trio retirassem suas armaduras, pois se tornariam prisioneiros. Caso tentassem fugir ou atacar, seriam mortos por dezenas de flechas. Assim como ordenado, o três retiraram suas armaduras e seguiram a elfa.
A elfa levava seus prisioneiros até onde estaria o acampamento principal do exército de Artuvena, que agora, era acampamento dos elfos. A elfa deixava eles com outro elfos, e esse elfo guiava o trio pelo acampamento. Dezenas, talvez centenas, de elfos e até tabaxis, felinos antropomorfizados, tentar qualquer coisa ali seria suicidio. O guia levava o trio até uma barraca longa, e dentro da barraca, havia uma escadaria de terra, como se fosse um calabouço.
O guia mandou sentarem no chão, encostando na parede de terra no fundo da escadaria, eles obedeceram, e quando o fizeram, raízes brotaram e prenderam seus pulsos e pernas.
Alguns minutos se passavam, Hanna encarava Rowan, ela parecia com medo, e antes que ele pudesse dizer algumas palavras de conforto, uma elfa entrava na barraca. A elfa usava uma armadura completa, tinha cabelos longos, preso num coque, e possuia uma presença tão forte quanto a de Carmen, exceto que a elfa tinha um olhar ameaçador ao invés de confortante da irmã mais velha de Rowan e Joshua. Ela encarou o trio por alguns segundos e depois saiu.
Mais alguns minutos se passavam, eles não ouviam nada além do movimento de elfos no lado de fora, e mais uma vez, alguém entrou na barraca, mas dessa vez, era Karen. Ela respirou fundo antes de começar a falar:
--Eu consegui convencer eles a me deixar falar com vocês a sós... Rowan... Você não queria ser um aventureiro? Por que está nessa guerra?
Rowan olhava no fundo dos olhos de Karen:
--Bom... Eu tentei, mas foi justamente por isso que vim parar no exército...
Ele dava um sorriso sem graça e continuava:
--Na minha primeira missão pela guilda, morri, meus companheiros me levaram de volta para cidade e me ressuscitaram... Só que minha família não tinha dinheiro para bancar a minha ressurreição, então pediram ajuda ao rei... Eu servi de pagamento... Não tive escolha a não ser entrar no exército e tentar ficar vivo...
Karen parecia surpresa ao ouvir as palavras de Rowan. Ele questionava:
--E você? O que te fez entrar para o exército dos elfos?
Karen respirava fundo antes de começar:
--Eu estava em Kabord, no norte, mas quando voltei para Artuvena, tudo tava diferente... Tiburon Segundo estava morto, e o novo rei é cruel... Ele não se importa... Ele simplesmente não se importa... Deixou a população na mão, deu mais poder ao exército... Deixou que guardas abusassem do poder, ele EXECUTOU PESSOAS INOCENTES!
Karen rangia os dentes conforme se lembrava da razão por estar ao lado dos elfos:
--Eu era uma das pessoas que queria ele fora, Roku não poderia ficar naquele trono, uma rebelião estava se formando, e agora que ele manda exércitos para a floresta, a rebelião formou um aliança com os elfos...
Rowan demorava alguns segundos para digerir o que ouvia. Ele estava cada vez mais consciente de que aquela guerra não tinha motivos, os soldados que morreram sem saber pelo que, exatamente, estavam lutando. Rowan respirou fundo e perguntou para Karen:
--O que o rei realmente quer nessa floresta? Simplesmente invadir e expulsar os elfos?
Karen olhava para Rowan no olhos:
--Eu não sei... Mas você pode escolher agora...
Ela se virava e saia da barraca. Rowan passava mais algum tempo pensando e depois questionava Joshua, querendo saber o que os três deveriam fazer. Joshua respondia que o que restava, era cooperar.
Mais tempo se passava, já estava escurecendo quando a elfa de armadura entrava na barraca novamente, mas dessa vez acompanhada. Karen estava ao lado dela, segurando dois pratos de madeira. O elfo que havia guiado os três também estava lá, com outro prato de madeira na mão, e por último, a mulher de cabelos cacheados.
Eles desciam a escada de terra conforme as raízes que prendiam os pulsos de Rowan, Karen e Joshua eram afrouxados. O guia e Karen deixavam os três pratos, com colher de madeira em cada um, era uma sopa de vegetais, os dois recuavam após deixarem os pratos.
A elfa olhava para os três e começava:
--Imagino que tiveram o tempo necessário para se decidirem
Hanna pegava o prato de comida assim que podia, Rowan olhava para Joshua, esperando uma resposta. O capitão do grupo não mexeu o corpo, apenas encarou a elfa e questionou:
--Qual a garantia de que vocês não vão exterminar a gente logo depois de perdermos utilidade?
A elfa sorria e apontava para Karen
--Essa mulher
Rowan parecia aliviado, perguntando quanto tempo deveriam cooperar. A elfa respondeu:
--Até decidirmos quando estarão livres, talvez depois dos rebeldes derrubarem o rei..
Joshua interrompe:
--Tenho uma condição! Deixem as famílias inocentes em paz, garantem que Carmem esteja viva, assim como todos relacionados com a nossa família, incluindo a de Hanna
A elfa levanta uma das sobrancelhas e retruca:
--Não se preocupe, capitão Joshua, imagino que esteja falando da Major Carmen Hikerus, sua irmã... Segundo os rebeldes, o alvo deles é o rei, não a população... Vocês partirão amanhã.
Rowan era um jovem nobre de cabelos brancos que era ávido por prazeres e aventuras, mas seus planos acabaram sendo impedidos por um acontecimento trágico, eventualmente levando-o para os horrores da guerra. Baseada em uma campanha de DnD 5e
Comments (0)
See all